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O problema da seca e suas consequências

Você sabia que as primeiras cidades surgiram nos arredores de rios? Sim, visto que a água é indispensável para a sobrevivência do homem, as sociedades formam-se onde houver água, item indispensável para a sobrevivência humana e aprimoramento da agricultura. Mas, agora, e nas regiões onde a água é pouca? Hoje vamos te apresentar o problema da seca e suas consequências.

Causas e consequências das secas

A seca está entre os perigos naturais mais prejudiciais do mundo, muitas vezes causando severas perdas para a agricultura, ecossistemas e sociedades humanas.

 

O conceito de seca não possui uma definição rigorosa e universal. É interpretado de modo diferente em regiões com características distintas, dependendo a sua definição da inter-relação entre os sistemas naturais, sujeitos a flutuações climáticas, e os sistemas construídos pelo homem, com exigências e vulnerabilidades próprias. Conforme a perspectiva de análise, este fenómeno pode ser distinguido entre secas meteorológicas (climáticas e hidrológicas), agrícolas e urbanas.

 

Se, por um lado, o conceito de seca depende das caraterísticas climáticas e hidrológicas da região abrangida, por outro, depende do tipo de impactos que provoca. Assim, em regiões de clima húmido, um período relativamente curto de ausência de precipitação pode considerar-se uma seca, ao passo que numa região árida, uma estação prolongada sem precipitação pode ser considerada normal.

 

As secas ou estiagens são fenômenos climáticos causados pela insuficiência de precipitação pluviométrica, ou chuva numa determinada região por um período de tempo muito grande. Este fenômeno provoca desequilíbrios hidrológicos importantes. Além desses fatores climáticos inevitáveis em determinadas épocas e regiões, são também causadas por ações humanas. As secas causam danos à natureza, aos Ecossistemas, às atividades socioeconômicas, contribuindo para o efeito estufa, impactando no aumento da fome e miséria.

 

Segundo o ecólogo Danilo Neves, da UFMG, seu estudo intitulado “O desafio adaptativo de condições extremas molda a diversidade evolutiva de comunidades de plantas em escalas continentais”, aponta que as adaptações para tolerar condições de secas são evolutivamente raras, e por isso, o impacto será imenso se ambientes úmidos se tornarem mais áridos com as mudanças climáticas globais.

 

Em 2021, o Brasil registrou secas mais intensas de sua história. A terra rachada, as plantações esturricadas e o gado definhando pela falta de chuvas são imagens que o Brasil conhece e, geralmente, identifica como imagens do sertão no Nordeste, região perenemente castigada pelo sol forte e pela falta de água que compõe um cenário de desolação.

 

No país como um todo, 40% do território pena com a falta de chuva, que se espalha por estados inteiros e impacta seriamente 2 445 municípios. Pela duração e intensidade, estamos diante da pior seca desde 1910. Segundo o coordenador da Cemaden – Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, José Marengo, a era de climas extremos já é realidade no Brasil.

 

 

O problema da seca causa fome e miséria

Um estudo publicado no Journal of Climate indica o aumento em até 200% da seca agrícola sobre a maior parte do continente americano (incluindo a Amazônia), a Europa e a região do Mediterrâneo, além do sul da África, Sudeste Asiático e Austrália sob cenários de emissões moderadas no século 21. O levantamento também alerta para o crescimento da seca generalizada.

 

A estiagem afeta os reservatórios de água e as plantações, provocando apagões de energia, desabastecimento, colheitas reduzidas e, consequentemente, inflação nos insumos de energia, combustível e alimentos.

 

Algumas regiões no nordeste do Brasil, regiões semiáridas como o sertão, possuem pouca ou nenhuma fonte de água potável. Um dos Estados que sofre essa falta de água é o Estado do Piauí, que, além da ausência do líquido indispensável para a vida, também sofre com a pobreza. A fome e a miséria são agravadas no estado, razão pela qual há o aumento das desigualdades.

 

As chuvas escassas no Piauí, que geram pouca produtividade na agricultura e pouco abastecimento dos rios, são um dos motivos para que a seca provoque pobreza e fome na região. Para se ter uma ideia da grave crise que o Estado do Piauí enfrenta com as secas, no ano passado, 2021, o Sul do Piauí teve 12 cidades com mais de 100 dias sem chuvas.

 

Fundamental para a vida, uma grande carência da população do sertão nordestino é a água para consumo. Com a seca, o acesso à água potável fica comprometido, obrigando moradores de centenas de comunidades e municípios a sobreviverem a partir do consumo de água salgada, barrenta, carregada de coliformes fecais e outras substâncias, retirada de poços, açudes e barragens que ainda não secaram por completo. Sem tratamento algum, o consumo dessa água coloca em risco a saúde e a vida de milhares de crianças e adultos.

 

O que muitos não sabem sobre a água em regiões semiáridas é que, além de escassa, ela é salobra (salgada). A falta de chuva e o solo cristalino do sertão resultam em salinização dos lençóis freáticos, tornando a água subterrânea maléfica para o consumo. Inúmeros são os poços artesianos inutilizados devido à quantidade de sais da água, e, em algumas regiões, há relatos sobre a água dos poços ser tão salgada quanto a água do mar.

 

O sertão brasileiro, infelizmente, ainda é uma região que possui os piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil e vive a pior crise hídrica dos últimos 70 anos. 90% da população local vive abaixo da linha de pobreza segundo o Banco Mundial de Desenvolvimento.

 

O Tribunal de Contas da União (TCU) fez um levantamento e apontou que os principais desafios a serem enfrentados pelo estado é a redução dos índices de mortalidade infantil (superior a 20%) e de analfabetismo funcional, indicador no qual o Piauí apresenta o pior índice do país (33%). O índice de analfabetismo é o segundo maior do país (23,4%), somente o estado de Alagoas possui índice de analfabetismo superior (24,6%).

 

O estado apresenta graves problemas socioeconômicos. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Piauí, com média de 0,646, é o terceiro menor no ranking nacional, superior apenas ao do Maranhão (0,683) e Alagoas (0,677). O Piauí apresenta Produto Interno Bruto (PIB) per capita de 5.373 reais, sendo o menor entre todos os estados do Brasil; 45% da população está abaixo da linha de pobreza.

 

O diagnóstico apontou ainda a necessidade de ampliação da rede de tratamento de esgoto do estado, visto que o percentual de residências que possuem esse serviço ainda é incipiente, menor que 2%. A média dos demais estados nordestinos chega a aproximadamente 37% de residências com rede de esgoto, percentual que, no Brasil, ultrapassa os 58%. Outro problema de ordem social no Piauí se refere ao saneamento ambiental: cerca de 26% das residências não possuem água encanada e 50% não contam com coleta de lixo.

 

A democratização do acesso à água limpa e, especialmente potável, promove a melhoria da qualidade de vida das comunidades sertanejas, redução dos índices de enfermidade, de mortalidade infantil, redução da evasão escolar, sustentabilidade e condições para o cultivo familiar, para o cuidado dos animais e para a promoção de condições de vida mais dignas.

 

Por isso, cientistas, instituições privadas e públicas, OSCs, governos, igrejas, buscam formas de erradicar a pobreza ou suavizar as diferenças, oferecendo soluções que possam amenizar as sequelas da seca, diminuindo a falta de acesso à água.

 

Leia também:
+ Seca no sertão: o periodo do B-R-O bró
+ A falta de água no nordeste

 

Formas de amenizar a seca

Estudos indicam que a variabilidade climática na região do semiárido deve aumentar, acentuando a ocorrência de eventos extremos (estiagens mais severas) com consequências diretas na disponibilidade hídrica. Dessa forma, iniciativas como o Mais Água, que promovem o acesso à água potável, o uso sustentável da água, contribuem para o enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas.

 

É um esforço de todos nós internalizar essas preocupações, disseminando boas práticas de uso sustentável da água e boas práticas de solidariedade e cidadania. O Projeto Mais Água viabiliza soluções hídricas em municípios e comunidades rurais do polígono das secas, região do sertão que mais sofre com os longos períodos de estiagem, onde a população não tem acesso à água potável e sofre com a pobreza. Para reduzir as vulnerabilidades no que diz respeito ao acesso à água no Sertão, o Projeto Mais Água é uma solução social humanitária.

 

No combate à falta de água no sertão, temos explorado como soluções sociais neste projeto algumas alternativas, dentre elas:

 

  • Sistema Dessalinizador;
  • Limpeza e manutenção (reforma) de barragens e açudes já existentes;
  • Perfuração de poços artesianos;
  • Fornecimento de água a partir de caminhão “pipa” para comunidades onde não há viabilidade para as soluções acima.

Clique aqui e saiba mais sobre as nossas soluções hídricas.

 

Quanto ao custo/benefício e efetividade, temos operacionalizado com mais frequência a instalação de sistemas de dessalinização junto aos poços de água salobra. Esse sistema é capaz de filtrar os sais da água e, com apenas um equipamento, é possível fornecer água potável a milhares de pessoas por um maior período de tempo.

 

A caminhada pela água não apenas mantém as crianças fora da escola ou ocupa o tempo que os pais poderiam usar para ganhar dinheiro, mas a água frequentemente carrega doenças que podem deixar muitos doentes.

 

Além disso, o programa contribui com alguns dos ODSs (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU:

  • Saúde e bem-estar;
  • Água potável e saneamento;
  • Redução das desigualdades;
  • Parcerias e meios de implementação.

Inclusive, em junho de 2022, o Instituto LIVRES foi premiado com o 2º lugar entre as TOP10 iniciativas do Terceiro Setor vinculadas ao cumprimento das metas dos ODS – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.

 

Pela iniciativa do Mais Água, projeto social que promove acesso à água potável no sertão, o LIVRES recebeu a certificação de boas práticas entre as 10 melhores selecionadas entre 236 iniciativas e o troféu de 2º lugar.

 

A premiação foi realizada pela Rede Estratégia ODS Brasil, uma coalizão que reúne organizações representativas da sociedade civil, do setor privado, de governos locais e da academia com o propósito de ampliar e qualificar o debate a respeito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil e de mobilizar, discutir e propor meios de implementação efetivos para essa agenda.

 

Resultados do Mais Água no enfrentamento do problema da seca e pobreza no sertão

O acesso à água limpa, potável, significa educação, renda e saúde – especialmente para mulheres e crianças. A cada nova comunidade atendida, a missão do projeto em promover melhorias e condições de vida mais dignas a comunidades afligidas pelas condições de extrema seca no sertão se concretiza. Conheça alguns de nossos resultados alcançados:

  • Somam-se mais de 3.700 famílias beneficiadas;
  • São 12 sistemas dessalinizadores ativos;
  • Contém 2 barragens subterrâneas;
  • Chega-se ao número de 18.535 pessoas beneficiadas;
  • Há 1 poço artesiano;
  • Tem 53 comunidades assistidas;
  • Já foram tratadas e distribuídas mais de 60 milhões de litros de água potável;
  • Existem 27 caminhões pipas trabalhando.

 

Gostou do projeto e quer contribuir, para que mais pessoas sejam beneficiadas? Então faça uma doação ou torne-se um parceiro, através deste link.

 

 

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