80% do potássio utilizado no Piauí é importado

Boa solução para o desenvolvimento de uma plantação, potássio é um dos produtos mais usados pelos agricultores brasileiros há muitos anos pelos resultados que gera. No sertão, agricultores precisam dele para garantir a colheita.

 

Apesar de ser um grande produtor, o Brasil é dependente de importação para tratar o solo com fertilizantes, principalmente o potássico. Segundo o Ministério da Agricultura, a dependência é de 93%, nacionalmente.

 

Diante destas informações, a guerra travada entre Rússia e Ucrânia impacta diretamente o fornecimento do produto e deve afetar toda a plantação de soja do Piauí, já que os fertilizantes químicos são usados pelos agricultores para aumentar a produtividade do solo.

 

E mais: o estado será o mais afetado, uma vez que 80% do potássio utilizado no agronegócio local é russo ou bielorusso, segundo a principal associação do setor, a Agrosoja.

 

Segundo a instituição, o estado é praticamente dependente do potássio, que já não chega mais ao Brasil por causa das restrições econômicas e fechamento dos corredores de logística em função da guerra.

 

Cada cultura precisa de um tipo de fertilizante diferente para se desenvolver, dependendo de quais nutrientes exige. A soja, por exemplo, exige muito fósforo e potássio, já o milho requer os nitrogenados.

 

Mas, a questão do Piauí não é só o fornecimento, uma vez que os outros estados brasileiros também dependem dos fertilizantes. O problema do Piauí é que o estado não consegue substituir o potássio por insumos de origem biológica, como os demais.

 

É que apesar de pesquisas e do avanço dos estudos para substituir para fontes biológicas os defensivos e fertilizantes químicos, a idade do cultivo das áreas piauienses, não permite essa troca.

 

A vantagem de outros estados como Paraná, Rio Grande do Sul e o próprio Mato Grosso, é que as regiões cultivadas possuem até 60 anos, o que garante a possibilidade até do plantio direto, sem necessidade de adubação.

 

O Ministério da Agricultura anunciou que o Governo Federal deve entregar um plano de trabalho cujo objetivo é diminuir a dependência do agronegócio nacional das importações de fertilizantes russos, estimulando a fabricação nacional.

 

O pior é que não só a soja está sendo afetada. Da mesma área do conflito também são importados os nitrogenados, que impactam mais a cultura do milho.

 

Em 2021, 23% dos adubos ou fertilizantes químicos importados vieram do país europeu, divulgou o levantamento do Comex Stat, do Ministério da Economia. São mais de 9,2 milhões de toneladas do produto.

 

Ao todo, os produtores brasileiros compraram 41,6 milhões de toneladas, somando US$ 15,1 bilhões.

 

20% dos nitrogenados;

28% dos potássicos;

15% dos fosfatados.

LIVRES no sertão do Piauí

Desde 2020, o LIVRES tem atuado fortemente no combate à miséria e à fome no sertão, agravados pela pandemia. A falta de chuvas afeta famílias que sobrevivem do plantio e da criação de animais. Sem água, a fome no campo chega a dobrar.

 

No Nordeste, especialmente no sertão, o impacto da falta de água sobre a autonomia e sobrevivência das famílias é elevado. Projetos que apoiam a construção de hortas agroecológicas, o ensino das atividades de subsistência a partir de conhecimentos agrícolas locais, plantio e economia solidária são essenciais para as comunidades mais vulneráveis.

 

O LIVRES tem incentivado ações de economia solidária no sertão, junto com outros parceiros locais, pois todo o negócio promove uma relação que valoriza o caráter humano e a união, sem, contudo, excluir o objetivo financeiro inicial estipulado e a geração de emprego e renda para as famílias envolvidas.

 

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Quintais produtivos é um exemplo

O Quintais Produtivos é um projeto que se estrutura na proposta de soberania alimentar do sertanejo e da economia circular porque proporciona a subsistência por meio de uma alimentação saudável com produtos cultivados em hortas 100% orgânicas, bem como fomenta a economia gerando renda por meio da comercialização dos legumes e hortaliças excedentes.

 

Com produtos para alimentar a família e gerar renda, essa população, que regionalmente apresenta apenas 5% de ocupação laboral, passa a ter um trabalho, que traz dignidade ao ser humano, cuidando da sua terra.

 

Os recursos da venda do excedente da produção local dos quintais permitem que as famílias possam investir e suprir outras necessidades básicas para uma melhor qualidade de vida.

 

O projeto tem uma escola que ensina e capacita um membro de cada família participante na teoria e prática do cultivo, higiene, cuidados com solo, manejo da terra e manejo da agua -“técnicas de irrigação”, entre outras abordagens que promovem o desenvolvimento da família e comunidade.

 

Durante um ano, uma família é acompanhada com visitas  de mentoria para fixação do aprendizado, a fim de garantir a sustentabilidade do quintal produtivo pelo núcleo familiar. Com 12 meses, uma família já é capaz de sustentar e formar outros quintais produtivos em outras casas e comunidades.

E qual tem sido o impacto da atuação, como sociedade, cidadãos e organizações para reverter essa situação?

Relatos afirmam que pelo menos 68% das famílias perderam renda durante a pandemia. E o impacto sobre a segurança alimentar foi direto: 67% afirmaram que precisaram, pelo menos uma vez, diminuir a quantidade de alimentos em suas refeições diárias. 42% das famílias deixaram de fazer uma das três refeições diárias por falta de recursos financeiros.

 

Em abril de 2021, 116,8 milhões de pessoas passaram a viver em insegurança alimentar, sendo que 43,3 milhões não tem acesso aos alimentos em quantidade suficiente (insegurança alimentar moderada) e 19 milhões passam fome (insegurança alimentar grave), segundo pesquisa da Rede PENSSAN (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional), o que revela a urgência da mobilização e atuação social.

 

Falar dos resultados alcançados transcende o propósito do relatório de impacto. É erguer oportunidades para que as pessoas se engajem com a transformação da realidade adversa, guiadas pelo amor ao próximo e conscientes sobre o reflexo de suas ações para com a sociedade.

 

No LIVRES, temos mensurado os resultados para que as pessoas possam compreender o real valor de sua contribuição. Temos assistido, somente com alimentos e água, mais de 27 mil pessoas na região sudeste do sertão do Piauí. Foram mais de 100 toneladas de alimentos e 8 milhões de litros de água potável.

 

O retorno social? Cada R$ 1 doado tem retorno social, ou seja, gera para a sociedade, o valor equivalente de R$ 6,74 nas ações que temos realizado. Isso quer dizer que os recursos têm sido bem investidos e têm promovido benefícios para além do valor absoluto da contribuição.

Agricultura no Piauí

No semiárido brasileiro, onde as condições climáticas e de solo são impróprias para cultivo, destaca-se a produção de soja que vem crescendo e se constituindo como principal commoditie a ser exportada pelo Estado, uma vez que o Piauí faz parte da região denominada de MATOPIBA uma região formada por áreas majoritariamente de cerrado nos estados do (MAranhão, TOcantins, PIauí e Bahia), para onde a agricultura se expandiu

 

O Estado do Piauí, situado na Região Nordeste do Brasil, possui uma extensão territorial de 251.576,44 quilômetros quadrados, divididos em 224 municípios, que abriga, segundo estimativa do IBGE de 2018, 3.264.531 pessoas.

 

A economia do Piauí apresenta uma grande variedade de atividades, onde há a participação do comércio, da indústria, da agropecuária, turismo, extrativismo, setor de prestação de serviços e comércio varejista no PIB (Produto Interno Bruto) do Estado.

 

Segundo dados do IBGE, o PIB do Estado, no ano de 2016, foi de R$ 41 bilhões de reais, sendo o quinto menor Produto Interno Bruto do país. Cerca de 64% do PIB piauiense está concentrado em apenas 10 municípios do estado.

 

O município com o maior PIB foi capital Teresina, com R$ 19,14 bilhões, em seguida vem Parnaíba com R$ 1,91 bilhão e Picos com R$ 1,39 bilhões. O dado evidencia a desigualdade regional presente no Estado.

 

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Impeditivos para exploração do potássio no Norte do país

O Supremo Tribunal Federal, o STF, suspendeu, liminarmente, a execução do projeto de extração do potássio, alegando que a área mineral está muito próxima de terras indígenas. Desta forma, a exploração das grandes jazidas brasileiras de potássio – que se localizam no Norte do país – não pode ser feita.

 

A agricultura brasileira é a mais moderna do mundo. Porém, ainda não conseguiu se desvencilhar da dependência do potássio importado que é utilizado pelos grandes produtores rurais brasileiros para a correção e a fertilização do solo de suas propriedades.

 

Além disso, a guerra na Ucrânia já causou a suspensão das importações de potássio da Bielorússia – que eram feitas pelo porto marítimo da Lituânia, república que pertenceu à antiga e extinta União Soviética e que hoje integra a OTAN.

 

Por sua vez, a Lituânia, ao proibir o uso do seu porto para as exportações da Bielorússia, que é declaradamente aliada do governo de Vladimir Putin, assume uma atitude de retaliação que prejudica o Brasil.

 

Mais uma vez, o Ministério da Agricultura veio a público para esclarecer a situação do potássio e explicou que as reservas de fertilizantes do Brasil durarão até outubro. O prazo é o limite outras providências, entre as quais a importação do produto de outros países.

 

A Embrapa já estuda a adoção de tecnologias para permitir o uso de menor quantidade de fertilizante para o enriquecimento do solo, mas não deu mais explicações de como isso será possível.

 

Os últimos 20 anos, o agronegócio tem garantido, com sua produção para os mercados interno e externo, os superávits da balança comercial brasileira.

 

De acordo com especialistas de Economia e Agronegócio, a proibição de exploração do potássio no Norte do país impede o desenvolvimento do setor primário da economia brasileira, é contrário à livre iniciativa e atende o interesse de grandes nações agrícolas, que são concorrentes do Brasil, a mais avançada economia agro do planeta, sob aspecto da tecnologia.

Vantagens do potássio

O Cloreto de Potássio é um dos fertilizantes mais usados na agricultura. As principais vantagens do produto como fertilizante são o seu alto teor de potássio e a sua rápida disponibilização para as plantas.  

 

A escolha do fertilizante é crucial para mais produtividade e qualidade da lavoura.

 

O que é o Cloreto de Potássio?

O Cloreto de Potássio é também conhecido como KCl. Trata-se de um haleto metálico salino, composto por cloro e potássio. Os haletos são compostos químicos que possuem qualquer um dos representantes da família 7A (flúor, cloro, bromo, iodo e astato) com estado de oxidação.

 

O material é extraído de minerais como a silvita e a carnalita, mas também pode ser obtido através de outros processos, como por exemplo um subproduto da produção de ácido nítrico, a partir de nitrato de potássio e ácido clorídrico.

 

Embora seja usado na indústria e até mesmo na medicina, a maior parte do Cloreto de Potássio produzido no mundo é utilizada como fertilizante de potássio na agricultura.

 

Como o Cloreto de Potássio é utilizado na agricultura?

O Cloreto de Potássio tem um teor bastante elevado de potássio em sua composição (53%) como já dissemos. Isso, aliado a uma disponibilização rápida para as plantas, faz com que ele seja uma das fontes de potássio mais utilizadas na agricultura.

 

De maneira geral, ele está ligado a funções essenciais para o desenvolvimento delas, tais como:

  1. Qualidade do produto agrícola;
  2. Ativação enzimática;
  3. Síntese proteica;
  4. Fotossíntese;
  5. Transporte de fotossintatos no floema;
  6. Crescimento celular;
  7. Regulação do potencial hídrico das células;
  8. Amenização de estresses bióticos e abióticos.

 

Já que a nutrição com potássio é muito importante na hora de planejar o manejo agrícola da lavoura, esta é uma preocupação brasileira.

 

De acordo com a Embrapa, no estudo “Aspectos relacionados ao mapeamento da disponibilidade de potássio nos solos do Brasil”, boa parte dos solos brasileiros tem baixa disponibilidade desse nutriente.

Principais vantagens do Cloreto de Potássio como fertilizante

As principais vantagens do Cloreto de Potássio como fertilizante são, como já mencionado, o seu alto teor de potássio e a sua rápida disponibilização para as plantas.

 

Para que ser absorvido, ele precisa estar na forma iônica K+. 

 

Isso acontece porque o KCl é altamente solúvel em água, o que faz com que a liberação do potássio para solução do solo se dê de forma mais rápida.

 

Em determinados contextos de uso, isso é vantajoso para o agricultor que precisa elevar a quantidade de potássio no solo rapidamente, de forma que ele fique disponível para a lavoura.

 

Entretanto, essas características do Cloreto de Potássio também trazem grandes desvantagens do seu uso como fertilizante.

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