Um olhar sobre a cultura empresarial

Vejo muitos discursos de valores e pró-cultura de inovação e crescimento nas empresas, mas, quando olhamos para a operação e como as pessoas são tratadas nos processos de gestão dos erros, o ambiente parece estar mais próximo de casa do pânico.

Em meus anos à frente de grandes empresas e multinacionais, realizando processos de fusão e aquisição, M&A e mesmo em projetos de implementação de melhorias de processos para ganho de produtividade, pude observar algumas características latentes nas organizações.

Características que você percebe que podem reafirmar a cultura e os valores ou desconstruir totalmente. Quando quero compreender uma empresa na forma em que como lida com pessoas e cenários, observo 03 coisas.

Primeira: Como a empresa lida com falhas?

Segunda: Como a empresa lida com erros?

Terceira: Como a empresa reage ou lida quando alguém precisa de férias?

A falha é um comportamento inesperado. São desvios da especificação ou expectativa, isto é, comportamentos que diferem do comportamento esperado e não cumprem seu objetivo. Pode ser causada por diversos erros, mas alguns erros podem nunca causar uma falha. Já um erro é uma atitude que produz um resultado incorreto ou diferente do resultado desejado.

Aqui, não estarei considerando os erros cometidos por negligência, então, vou colocar as falhas e os erros na caixinha da Gestão dos Erros Corporativa. A cultura de lidar bem com os erros diz respeito a dar liberdade aos colaboradores para sugerirem e pensarem em novas possibilidades e alternativas para os problemas que vão surgindo. Saber lidar bem com os erros inclui também em prevê-los e mitigá-los.

No caso das falhas, estar aberto à compreensão e entendimento para que haja uma conversa sincera e debates a respeito pode se tornar uma grande oportunidade de aprendizado, para todos.

Mas quando encontramos a cultura do medo na gestão dos erros, o sinal de alerta vermelho se acende. Crucificar os colaboradores, usar aquelas expressões de quem é culpado, quem vai pagar, etc. não contribui para uma empresa unida, em crescimento, que foca em novas oportunidades de mercado e em inovação.

Pelo contrário. Esse tipo de posicionamento só faz afastar os colaboradores, limitar o processo criativo e as potencialidades que podem ser aperfeiçoadas gerando conhecimento e aprendizado para todos.

Vejo muitos discursos de valores e pró-cultura de inovação e crescimento nas empresas, mas, quando olhamos para a operação e como as pessoas são tratadas nos processos de gestão dos erros, o ambiente parece estar mais próximo de casa do pânico.

E a terceira pergunta, em relação às férias. Bom, aqui podemos observar se a empresa tem ou não estrutura de gestão. As férias dos colaboradores são valorizadas, tratadas como um presente em que a pessoa vai poder descansar, voltar revigorado, ficar com a família? Ou a alta gestão fica ‘aborrecida’ com a pessoa, todos ficam cheios de dedos para falar sobre o assunto, o colaborador se sente um traidor e, quando volta, sofre levemente um ‘bullying’?

Bem, se esse é o ambiente que se obtém frente ao tema férias, é provável que essa empresa tenha muitos problemas em seus processos de gestão e liderança. Muitos. Vou falar sobre isso em meu próximo artigo!

Autor: Clever Murilo Pires – CEO do Livres

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