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Sustentabilidade financeira das organizações

A edição 2020 do FIFE, um dos maiores eventos sobre filantropia do país, abordou a sustentabilidade financeira das organizações e o papel do planejamento nas campanhas.

Entre os dias 25 e 28 de agosto, a Rede Filantropia, uma plataforma de disseminação de conhecimento técnico para o Terceiro Setor, realizou a edição 2020 do Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica (FIFE).

Nos quatro dias de evento, especialistas de diversas áreas no Brasil e no exterior se reuniram para falar sobre os principais desafios da gestão, do engajamento e da sustentabilidade econômica no Terceiro Setor, além de abordar as mudanças que a pandemia vem causando e o que se pode esperar no pós-pandemia.

Duas palestras realizadas no segundo dia do evento dialogaram com a questão econômica, apresentando a funcionalidade das novas formas para manter um capital fixo nas organizações e o papel do planejamento nas campanhas.

Como ter uma organização autossustentável?

Como as Organizações da Sociedade Civil (OSCs), popularmente chamadas de Organizações Não Governamentais (ONGs), podem buscar a inovação e ser autossustentáveis economicamente?

Foi essa questão que Mario Roset, diretor da Civic House, uma organização sem fins lucrativos que trabalha para gerar uma nova cultura de ação cidadã e aumentar o impacto de outras iniciativas tecnológicas de bem-estar público, buscou responder com a palestra ‘Inovação e novos modelos para a autossustentabilidade econômica das organizações’.

Roset destacou o poder de não depender de uma doação ocasional para que se consiga fazer os trabalhos previstos nas organizações.

“Existem diversos fundos disponíveis para as OSCs de impacto social. É necessário avaliar quais podem gerar a autossustentabilidade. As ONGs e as OSCs não visam o retorno econômico, mas precisam desse suporte”.

E completa: “O melhor cenário é se desenvolver de forma que mesmo ao perder um investimento, existam outras formas de manter o impacto do seu trabalho”.

Roset destaca que o setor filantrópico se encontra frustrado com os financiamentos disponíveis, uma vez que é recorrente a retirada destes apoios, por vezes, de forma brusca.

“As pessoas continuam precisando destes financiamentos. A retirada apenas causa uma diminuição no impacto social que vinham alcançando”.

O modelo das Empresas B, de negócios focados no desenvolvimento social e ambiental, foi resgatado por Roset para mostrar as adaptações necessárias no setor que podem levar à autossustentabilidade.

“Essas empresas tendem a ser mais profissionais e transparentes, com equipes de alto desempenho. Utilizando a inovação para ter a sua própria capacidade de conseguir doações, para além da filantropia”.

Roset aponta que a inclusão dessas características nas organizações pode dar surgimento à “ONG A”, que alia a filantropia tradicional com o pensamento empresarial.

A “ONG A” reinveste 100% do seu lucro; os benefícios fiscais são usados para maximizar os impactos; e utiliza a tecnologia para inovar no pensamento e na forma como realiza seus projetos.

As organizações filantrópicas conseguem melhorar seu processo ao se tornarem uma “ONG A”, que inclui dois modelos capazes de permitir uma receita autossustentável: estratégias de doações individuais e modelos independentes de sustentabilidade.

Com a aplicação destes dois modelos é possível estabelecer uma receita estável. Desta forma, o esforço que antes seria gasto na busca por fundos, passa a ser destinado para melhorar a iniciativa.

Roset ressalta que, para esse sistema funcionar, é necessário ter as repostas para os seguintes questionamentos: existe uma pessoa ou organização que queira pagar pelo que fazemos? Qual valor agregamos? Temos um serviço que gera impacto? Nossa audiência é ampla ou está concentrada? Essa audiência é fiel?

Com essas respostas em mãos, o Livres tem buscado estabelecer estratégias financeiras que garantam que o impacto social se mantenha por um longo tempo.

“Essas organizações em questão conseguiram estabelecer uma grande base de doadores que colaboram com pequenas quantias, mas de forma mensal. Essa garantia permite o planejamento”.

Roset ainda estabelece outros sistemas viáveis dentro desta lógica, como as inscrições em agências ou conteúdos exclusivos de informação desenvolvidos pelas organizações. Os apoiadores assinam esse serviço para ter acesso aos materiais, garantindo também a sustentabilidade da ONG.

“O conhecimento que cada OSC gera é valioso. São especialistas em áreas que outras pessoas podem estar buscando domínio, que estão dispostas a pagar para aprender”.

O poder de uma campanha bem construída

A diretora de Relações para o Desenvolvimento do ITBA – Instituto Tecnológico de Buenos Aires, Carola Gimenez, aproveitou o convite do FIFE para discorrer sobre o endowment e campanhas capitais.

A campanha pode servir para diversas áreas, variando de transformações internas na organização a transformações no espaço físico ou na criação de um fundo de captação. Ao contrário de uma campanha anual, a campanha capital vai definir um objetivo específico.

Esse modelo de campanha tem características específicas que incluem o envolvimento de doadores e voluntários, um objetivo econômico, estratégico ou de impacto, tendo um prazo – geralmente que não ultrapassa um ano – para começar e terminar.

“Realizar uma campanha, seja para possibilitar a criação de um laboratório ou criar um fundo fixo, é um processo de detalhes. Você tem que saber o que quer fazer. Seus doadores precisam estar segmentados. Você tem que saber quem pode doar e o quanto ou se esse doador pode colaborar com a divulgação. A chave para ter sucesso em qualquer campanha é o planejamento”, explica Carola.

A campanha precisa ter uma comunicação e um plano de abordagem segmentado de acordo com o perfil dos doadores. Aqueles classificados como grandes doadores são envolvidos de forma individualizada, estando presentes no desenvolvimento do projeto, enquanto os pequenos doadores são envolvidos de forma massiva.

Carola ainda apresenta a divisão da campanha capital em duas frentes: a Silenciosa e a Pública. A silenciosa se refere a uma etapa de planejamento e execução, trabalhando com doadores, executivos e voluntários em um planejamento de passo a passo.

Já a Pública se destina a uma abordagem massiva para a sociedade, incluindo o desenvolvimento de peças de comunicação.

“Devemos ter o objetivo chave bem definido, pois é um projeto grande e envolve diversas pessoas. Existem decisões que podem auxiliar no sucesso das campanhas, como uma equipe diversa, com profissionais de áreas variadas. Além disso, ouvir os doadores e ser transparente com eles e com a comunidade é essencial para que a campanha não acabe frustrada, sem alcançar a meta”, pontua Carola.

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Fonte: FIFE . Autor: Mariana Lima

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