Saber contar histórias é fundamental

Saber contar histórias é fundamental para engajar no Terceiro Setor

Atrair apoiadores e manter uma rede de colaboradores engajada em favor de uma causa vem se mostrando uma tarefa difícil para as organizações do Terceiro Setor.

Pensando nisto, algumas palestras realizadas durante a edição 2020 do Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica (FIFE), um dos principais eventos sobre gestão no Terceiro Setor do país, buscaram mostrar os principais obstáculos e caminhos possíveis para ultrapassá-los.

A mobilização social em prol do engajamento

A questão do engajamento é enfrentada em diversas organizações de formas diferentes. Na palestra ‘Mobilização social para engajar e ampliar sua base de apoiadores’, a jornalista Fabiana Dias tratou da temática sob a perspectiva da comunicação.

Pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, Fabiane destacou o uso do storytelling para engajar e solidificar a base de apoiadores.

“No Terceiro Setor, entregamos um serviço. Antes, quando a comunicação dependia exclusivamente dos veículos tradicionais, buscava-se a notoriedade pela mídia de massa. Hoje precisamos ser influentes dentro das nossas próprias redes”.

A internet tornou a interação com os veículos de comunicação menos necessária. Contudo, a facilidade nas redes trouxe consigo uma profusão grande de informação. Além de apresentar um conteúdo relevante, as organizações precisam saber manter a atenção.

“Para ter uma relevância, seu conteúdo precisa ficar na memória. Esse registro de memória é resultado da conexão, significação. Nós compartilhamos subjetividades – aquilo que é valoroso para mim, consigo compartilhar com vocês. Somos pedaços uns dos outros. E isso é fundamental para mobilizar alguém”, argumenta Fabiana.

Fabiana utiliza como exemplo o trecho de uma frase do escritor e professor israelense Yuval Noah Harari: “os humanos pensam em forma de narrativas”. Ela ressalta que desenvolver uma narrativa comunicacional aos moldes da jornada do herói pode atrair a mobilização capaz de engajar.

“Contar a história de alguém, por exemplo, uma liderança comunitária ligada à causa, vale mais do que apenas a exposição de dados. É gerar significado. Você atendeu duas mil pessoas, mas o que isso significa? É a abordagem da informação que faz diferença”, revela.

Promover um entendimento do mundo através da narrativa construída pela organização, além de visualizações, pode trazer apoiadores.

“Apresentar um imaginário convocante. Contar a história de forma que as pessoas se mobilizem por ela, percebam que podem fazer a diferença nesta narrativa. Se for bem construída, mostrará o chamado para a causa e a identidade da organização. Olhar para algo e lembrar da causa é a significação a ser buscada”, aponta.

Escutar para engajar

O Head Trainer Comportamental e Mentor Corporativo Fabiano Brum utilizou a música para dialogar com o público virtual na palestra ‘Liderança e Engajamento’, comparando seu processo para aprender a tocar guitarra com o sucesso de uma liderança.

“Sucesso dá trabalho. É necessário mais do que motivação. É preciso disciplina, compromisso. Não se trabalha com filantropia sem escutar os outros. Existem líderes que só se importam com a sua própria opinião. Desta forma, acabam cercados por pessoas que não têm nada a dizer. Sua atitude determina até onde você vai como líder”.

A escuta, de acordo com Brum, é o elemento fundamental para a prática do engajamento interno e externo, uma vez que é um trabalho feito por pessoas para pessoas.

“Como engajar os vários tipos de pessoas que compõem uma organização filantrópica? Não basta apenas trabalhar juntos, é necessário estar de alguma forma presente, envolvido com a estrutura pessoal da sua organização. O segredo está nas pessoas. O líder, acima de tudo, precisa entender de gente”.

Brum destacou um caminho que pode servir de modelo para as organizações na hora de construir seu processo de engajamento. A “Jornada do engajamento”, como ele nomeou, divide-se em 4 etapas:

  1. Pertencimento – “Ao se sentir como parte de algo, o compromisso é potencializado. As pessoas não estão só no projeto, elas dão a palavra e honram os acordos estabelecidos. Só é possível se engajar ao se sentir pertencente”, destaca.
  2. Conscientização – “Ao se sentirem parte do todo acabam por se conscientizar sobre a importância do projeto. Percebem como as suas ações são importantes dentro daquela proposta”.
  3. Orgulho – “Quando as pessoas ajudam a construir, algo sentem orgulho daquilo. É necessário que elas se sintam pertencentes, compromissadas e conscientes para que possam sentir orgulho”.
  4. Compartilhar – “Se todas as outras etapas forem cumpridas, as pessoas vão compartilhar esse projeto. O terceiro setor precisa desta etapa, que as pessoas olhem e se conectem tanto a ponto de compartilhar o conteúdo de forma massiva. O maior desafio do líder é desenvolver todos esses potenciais”.

Brum ressalta que é importante observar o engajamento como uma junção do pensar, sentir e agir. “Dê confiança às pessoas e elas confiarão em você. Quanto mais se sobe em uma árvore, mais os galhos ficam frágeis. É o mesmo com a relação de confiança. É necessário ter cuidado com essas relações”.

Fonte: Observatório do Terceiro Setor

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