Publicidade infantil, por que se atentar?

Já há algum tempo, a publicidade infantil vem sendo pauta de debates em diversos setores. Chegou até mesmo a ser tema de redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) na edição de 2014 do exame, apontando que a discussão chegou ao ambiente de ensino médio do país. Mas qual a importância de se debater sobre as propagandas que são direcionadas especificamente para o público infantil?

A maioria das crianças não possuem senso crítico bem desenvolvido. Ainda não viveram experiências suficientes ou adquiriram conhecimento para isso. Elas se encontram em posições mais vulneráveis diante de gatilhos mentais utilizados por estratégias publicitárias quando buscam vender produtos.

Já foi comum, ao ligar a televisão, se deparar com propagandas apelativas voltadas ao público infantil instigando neles a vontade de ter o produto anunciado. Frases com “Eu tenho você não tem” ou “Compre isso, compre aquilo” eram constante e abertamente utilizadas por diversas empresas dos mais variados setores.

Diversos elementos infantis eram, e em alguns casos ainda são, utilizados para convencer as crianças a consumir excessivamente e compulsivamente, influenciando o desenvolvimento de um comportamento consumista.  

Com o passar do tempo, algumas pessoas começaram a perceber e questionar o uso desse apelo nas propagandas.

Então, em 13 de março de 2014, o Conselho Nacional dos Diretos da Criança e do Adolescente (Conanda) lançou a Resolução n° 163 que dispõe sobre a abusividade do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança e ao adolescente, estipulando limites necessários para se veicular e manter propagandas de produtos voltados ao público infantil.

Diversas marcas e empresas se mostraram insatisfeitas com a resolução, pois isso significaria diminuição em suas vendas. Algumas tentaram protestar e outras buscaram formas de ‘burlar’ a resolução.

A partir daí, as formas de publicidade de produtos infantis se tornaram mais ‘amenas’, sem o forte uso de elementos infantis tão apelativos. Porém, também deixaram de ocupar exclusivamente os horários voltados aos comerciais televisivos e, como nova estratégia de vendas, conseguiram se ‘camuflar’ nos programas infantis, vídeos na internet, jogos etc, fazendo com que seja mais difícil o trabalho de vigilância do Conselho Nacional de Auto Regulamentação Publicitária (Conar).

Agora com mais meios de propagação, é mais difícil para o Conar analisar e identificar casos de publicidade infantil que devam ser retirados de circulação.

Mesmo que o debate sobre publicidade infantil, como visto em 2014, tenha sido tema da redação do Enem, o fracasso de alguns vestibulandos na argumentação e domínio do tema mostram que as escolas ainda não tratam o assunto da forma que deveria ser tratado em sala de aula. De forma efetiva, a gerar maior consciência nas crianças e posicionamento por parte dos pais.

Nesse cenário de debilidade, cabe aos pais e responsáveis pelas crianças acompanhar e se atentar ao tipo de conteúdo que tem sido entregue aos seus filhos. Seja na televisão, jogos on-line, aplicativos para celular e vídeos na internet.

Os responsáveis devem conversar com seus filhos sobre o assunto e os ensinar sobre os cuidados de consumir propagandas consideradas como irregulares pelo estímulo ao consumo excessivo e desnecessário.

Dessa forma, além da proteção da criança, também acontecerá a formação de gerações com atitudes e pensamentos mais críticos no consumo de conteúdo, forçando as empresas que ainda trabalham com propagandas irregulares a abandonar essa técnica de vendas.

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