Precisamos falar sobre isso…

O Brasil está em 8° lugar na lista dos países com as maiores taxas de suicídio do mundo e nós precisamos falar sobre isso.

Falar sobre suicídio ainda é tabu para muitas pessoas. É compreensível que, por ser um assunto deliciado, causa incômodo ou até mesmo constrangimento para quem já pensou sobre, porém fingir que essa problemática não existe apenas agrava a situação.

No Brasil, há um grande descaso com a saúde mental dos cidadãos. Por muito tempo, doenças mentais como a depressão, síndrome do pânico, pensamentos e atitudes suicidas eram tidas como ‘frescura’ ou sinônimo de fraqueza e a pessoa que sofria dessas doenças, na maioria dos casos, era forçada a reprimir seus sentimentos e não possuía alguém para desabafar e conversar sobre o que sentia, sofria só. Os atendimentos psicológicos eram vistos com maus olhos, dificultando ainda mais o diagnóstico e tratamento dessas doenças.

O dia 10 de setembro foi escolhido como o ‘Dia Mundial da Prevenção do Suicídio’ e todo o mês é dedicado às campanhas que caracterizam o “Setembro Amarelo”. A ideia é conscientizar a sociedade do assunto e demais questões que causam sofrimento físico-psicológico.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, no mundo, uma pessoa cometa suicídio a cada quatro segundos. Isso resulta em cerca de 800 mil mortes por ano. O Brasil está em 8° lugar na lista dos países com as maiores taxas de suicídio do mundo, por esse motivo, precisamos falar sobre isso…

Dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) informam que a média de mortes por suicídio no Brasil a cada 100 mil habitantes é de 5,6 pessoas. O estado do Piauí, onde se encontram a maioria de nossos projetos, apresenta quase o dobro dessa taxa, atingindo a média de 10 mortes a cada 100 mil habitantes. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde do Piauí soma-se cerca de 2.663 óbitos registrados por suicídio nos últimos nove anos. Vale ressaltar que as subnotificações de suicídio atrapalham na contabilização dos dados.

Populações tidas como minoritárias e marginalizadas socialmente estão mais suscetíveis ao suicídio.

No Piauí, geralmente os homens são os mais atingidos por esse mau, devido a comportamentos nocivos a si próprios e aos que convivem com eles, tais como a competitividade exagerada, impulsividade, alcoolismo e fácil acesso a armas de fogo associados a instabilidade econômica como o desemprego e a repressão de sentimentos, que os impedem de perceber e expressar desequilíbrios emocionais, podem os levar ao suicídio.

“A menor ocorrência de suicídio entre as mulheres tem sido atribuída à baixa prevalência de alcoolismo; à religiosidade; às atitudes flexíveis em relação às aptidões sociais e ao desempenho de papéis durante a vida. Além disso, as mulheres reconhecem precocemente sinais de riscos para depressão, suicídio e doença mental, buscam ajuda em momentos de crise e participam nas redes de apoio social”, afirmam profissionais da Revista Brasileira de Enfermagem.

Outro fator que pode ser considerado como preventivo é a estruturação familiar. Famílias mais estruturadas possuem maior chance de proteger o indivíduo do suicídio devido ao apoio que seus integrantes encontram entre eles. Ainda nesse âmbito, o convívio social entre amigos fortalece ainda mais sua rede de apoio e está relacionado diretamente à redução do risco de suicídio.

A vontade de morrer não aparece de repente. Geralmente quem pensa sobre demonstra atitude que são pedidos de socorro disfarçados.

  • Mudança de humor e comportamento;
  • falta de esperança;
  • isolamento;
  • atitudes e falas depressivas;
  • Entre outros…

Todos esses podem ser indicadores de que alguém está pensando em cometer suicídio.  

O que fazer nessa hora?

O mais indicado por profissionais é a escuta. Deixe a pessoa falar com você com calma e sem sentir julgamentos. Mostre interesse pela vida dela e por tudo que ela está te contando. Nessa hora é preciso agir com empatia, deve-se estar cada vez mais aberto para entender a dor do outro. Quando perceber que a pessoa já te disse tudo que queria dizer, mesmo que tenha levado algumas horas, a leve até um profissional.

Assim, você salvará vidas.

Caso você se sinta perdido ou com algum dos sintomas citados acima e não encontre ninguém para conversar sobre, ligue para o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo número 188. Eles estão disponíveis 24 horas para conversa pelo telefone.

No Instituto Livres buscamos reverter realidades críticas no sertão do Piauí e, dessa forma, também ajudar no combate ao suicídio.

Conheça nosso projeto Impacto Sertão Livre e fique por dentro de algumas ações que realizamos nessa luta diária.

Lembre-se, você não está sozinho(a) !

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