Comunidades quilombolas do Piauí são beneficiadas por irrigação

Comunidades quilombolas do Piauí são beneficiadas por irrigação movida a energia solar

 

Líder da comunidade quilombola de San Martin, em Paulistana (PI), a agricultora Milena Martins, de 35 anos, só plantava hortaliças, como alface, cebola e tomate, no período chuvoso. Quando chegava a seca, em agosto e setembro, a plantação morria, assim como as de outras 100 famílias que vivem da agricultura familiar no município do semiárido piauiense. Contudo, por causa de sua iniciativa, comunidades quilombolas do Piauí são beneficiadas por projetos de irrigação.

 

O cenário começou a mudar a partir de 2020, quando foi instalado um sistema de irrigação movido a energia solar, desenvolvido por projeto de extensão da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e financiado pelo PNUD.

 

“É uma experiência que deu certo e precisa ser expandida para outras regiões, principalmente no semiárido, que é bem seco, onde as pessoas até têm condições financeiras para perfurar um poço artesiano, mas não têm energia elétrica e não conseguem equipá-lo para fazer a água subir”, explica Martins.

 

O uso da energia solar para bombeamento de água no semiárido piauiense foi um dos 12 projetos selecionados pelo Innovation Challenge, iniciativa do PNUD Brasil para financiar experiências e metodologias de inovação nas cadeias de produção nos estados de Piauí e Amazonas.

 

A ideia foi criar redes de parcerias locais de forma a acelerar o alcance da Agenda 2030 e seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Cada iniciativa selecionada recebeu financiamento de R$100 mil.

 

Proposto pela Fundação Cultural e de Fomento à Pesquisa, Ensino, Extensão e Inovação (FADEX), o projeto de irrigação inclui o monitoramento do desempenho dos sistemas e a capacitação das próprias comunidades para sua manutenção.

 

Nos últimos três anos, foram instalados sistemas de irrigação em 10 comunidades em situação de vulnerabilidade do semiárido piauiense, entre agricultores familiares e quilombolas, explica o professor do curso de Engenharia Elétrica da UFPI e coordenador do projeto proposto pela FADEX, Marcos Lira.

 

“Ao final, serão 11 sistemas de energia fotovoltaica em 11 comunidades diferentes, nos municípios de Oeiras, Campo Maior, José de Freitas, Paulistana, Currais, Esperantina. Após a instalação do último sistema, aproximadamente 50 famílias serão atendidas”, declara.

 

Lira explica que foram três os critérios para a escolha das comunidades: elas precisavam ter um poço cacimbão (com profundidade de no máximo 15 metros), não ter acesso a energia elétrica e utilizar a irrigação para a agricultura familiar. Cada poço pode bombear 5 mil litros de água por dia. Em Oeiras, um sistema maior foi instalado, bombeando 5 mil litros por hora.

 

Os municípios estão localizados em um raio de 40 km a 600 km de Teresina. “A ideia não foi concentrar os sistemas em um só município, e sim difundir essa tecnologia para a maior quantidade de municípios possível”, diz Lira.

 

Ele explica que o projeto pretendeu aproveitar duas das principais riquezas piauienses: o lençol freático e o aquífero, “o mais rico do Brasil”, e a radiação solar. “O Piauí concentra os maiores índices de radiação solar do país”, afirma.

 

“É uma solução tecnológica com apelo socioeconômico e ambiental: levar água para pessoas que não têm, dar mais conforto de vida. Comunidades que puxavam carretel com esforço físico extremo foram beneficiadas. Algumas já estão plantando e comercializando alface.”

 

A líder quilombola Milena Martins, parceira local do Livres na região, ressalta que a cada dia aumenta o número de famílias utilizando o novo sistema de irrigação. “Quando acabam as águas das reservas, passa o período chuvoso, o poço favorece muito. Também utilizamos a água nos tanques de criação de peixe”, diz.

 

Comunidade Quilombola do Piauí San Martin com líderes locais

 

Estratégia do PNUD

O financiamento aos projetos do Innovation Challenge parte da estratégia do PNUD baseada na importância de focar esforços em áreas com grande concentração de população vulnerável, em particular no Norte e Nordeste do Brasil, desenvolvendo projetos que estejam alinhados com os aceleradores dos ODS mapeados para a região.

 

Também se encaixa no objetivo da organização de desenvolver e ampliar parcerias não apenas com governos, mas também com sociedade civil, setor privado, universidades e doadores internacionais como uma forma de impulsionar iniciativas alinhadas à Agenda 2030.

 

“Os pequenos negócios exercem papel fundamental para a geração de renda e empregabilidade no Piauí, especialmente aqueles ligados aos produtores de base familiar, um dos setores destacados no diagnóstico do PNUD como acelerador para o desenvolvimento sustentável do estado”, afirma o coordenador do PNUD no Piauí, Maurilo Cesar de Sampaio Oliveira.

 

“Nesse contexto, o projeto foi especialmente importante, porque proporcionou identificar e apoiar iniciativas que, por seu caráter inovador, contribuem de forma muito efetiva para a superação de gargalos que historicamente dificultam o desenvolvimento destes negócios”, completa.

 

O Piauí foi escolhido para a implementação da iniciativa Innovation Challenge por seu elevado nível de concentração de pobreza e desigualdade. O estado possui o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) médio de 0,646, classificado na posição 24 entre as 27 Unidades da Federação.

 

Para o LIVRES, é uma honra trabalhar com pessoas como a Milena, uma líder que efetivamente faz a diferença para a sua comunidade, buscando soluções que tragam melhor qualidade de vida para todos. Nosso trabalho juntos coopera para o alcance dos ODS redução das desigualdades, fome zero, fomento á renda e acesso à água potável. Queremos mudar a realidade das comunidades quilombolas do Piauí por meio de nossos programas e projetos.

Crédito da foto: FADEX

Fonte: PNUD

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