Exploração sexual e tráfico de mulheres: vamos falar disso?

No mês escolhido para marcar o Dia Internacional Contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças, comemorado no último 23 de setembro, o Instituto LIVRES alerta para a importância de desenvolvermos e aprimorarmos medidas de enfrentamento a esse crime. Crianças, adolescentes e mulheres são 75% das vítimas do tráfico de pessoas, apontam os dados do Disque 100, de janeiro de 2020 a junho deste ano.

 

O mais grave é que o tráfico geralmente vem associado de outro crime altamente rentável: a exploração sexual. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), estima-se que, anualmente, a prática movimente US$ 32 bilhões. Hoje, aparece no ranking das atividades ilegais que mais se expandiram no século 21 e corresponde ao 3º negócio ilícito mais rentável do mundo, perdendo posição apenas para o comércio de drogas e armas.

 

 “O maior desafio ao combate é que se trata de um crime invisível e difícil de identificar. E o panorama fica cada vez mais grave com a escassez de informação e divulgação. Outro crime que geralmente está fortemente associado ao tráfico de pessoas é o da exploração sexual”, afirma Clever Murilo Pires, CEO do LIVRES.

 

A solução passa por políticas públicas efetivas e soma de esforços de todos os setores. As organizações do Terceiro Setor também têm papel fundamental nesse processo. “Temos atuado de forma sistemática por meio de nossos projetos direcionados a crianças e mulheres, tanto no sertão, quanto no interior de São Paulo”, detalha.

 

Temos ações direcionadas a identificar e combater situações de violação desses públicos. Assistimos as crianças e suas famílias em suas necessidades básicas e conseguimos, assim, nos aproximar e acompanhar a realidade em que estão inseridas, podendo promover intervenções que sejam necessárias. “Esse amparo e proximidade que temos com os sertanejos favorecem condições impeditivas aos crimes de violação”, analisa o CEO.

 

Combate e Prevenção

Buscando ser uma organização referência em projetos de melhorias sustentáveis no sertão, o LIVRES se move pelo bem do próximo, desenvolvendo soluções inovadoras, econômicas, ecológicas e socialmente retroalimentadas pelos seus resultados.

 

O primeiro projeto desenvolvido foi o Acolhimento Livre Ser – para garantir os cuidados, o amor e a proteção necessárias a crianças e adolescentes vítimas de situações de violação. Visando expandir este projeto para o nordeste, o fundador do instituto e cantor, Juliano Son, mudou em 2013 para Teresina, capital do estado do Piauí, onde implantou duas unidades de Acolhimento integral com serviços de alta complexidade.

 

O estado concentra dados alarmantes. Um levantamento da Polícia Rodoviária Federal realizado entre 2019 e 2020 registrou que, dentre 103 pontos mapeados às margens das estradas BRs, quatro são considerados críticos para casos de exploração sexual. Floriano, Bom Jesus e Teresina são as cidades que mais concentram locais com esse fim.

 

Segundo os dados da PRF, o aumento no percentual de casos chega a 300%, principalmente em pontos de áreas rurais, em comparação aos dois anos anteriores. Para a Polícia Federal, o aumento pode ser consequência da pandemia causada pela Covid-19.

 

De acordo com a Safernet Brasil, até maio de 2021, o Brasil teve um crescimento de 33,4% nas denúncias de pornografia infantil. No Piauí, onde o LIVRES atua mais especificamente, denúncias podem ser feitas, de forma anônima, por meio do Disque 100 ou do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, e do número 191 da PRF.

Hoje, por meio de uma parceria, as unidades de acolhimento Livre Ser estão sendo geridas pela instituição Lar Bom Jesus, referência nesse serviço no Brasil.

 

Centro de Acolhimento Institucional em São Paulo

Uma das iniciativas do LIVRES, ligada ao seu DNA social, é o projeto Acolhimento Livre Ser, que hoje ocorre na cidade de Santo André, em São Paulo. A pandemia exponenciou o número de denúncias de abusos contra crianças e adolescentes e os serviços de acolhimento, no que tange à proteção e garantia dos direitos desse público, são fundamentais.

 

Ao longo de 2020, foram mais de 4,7 mil atividades de acompanhamento escolar para as mais de 50 crianças e adolescentes acolhidos no Livre Ser neste ano. O projeto promove experiências de socioaprendizagem, na perspectiva do empoderamento, autonomia responsável, dignidade no exercício da cidadania e superação das vulnerabilidades.

 

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