A música no sertão nordestino

Quem já conhece o Instituto Livres sabe que o sertão é uma de nossas causas. Também deve saber que a música foi uma das forças que ajudaram na criação da organização. Por isso, esse lugar único do mundo, o sertão é um dos principais focos de nossa atuação e a música, uma das nossas paixões.

 

O sertão, apesar de carecer de muito suporte social, é um lugar com uma cultura extremamente rica e diversa. Num lugar onde o solo é árido, de alguma forma, as expressões de alegria e festa encontraram um solo muito fértil.

 

Por isso, nesse artigo, queremos celebrar a cultura nordestina falando da música e dos ritmos que compõe a cena cultural do sertão e embalam a lida sofrida dos sertanejos.

 

Vamos comigo nessa?

 

Baião

O Baião nasceu na década de 1940 e exerce influência até hoje no trabalho de músicos que vêm dessa região do país.

 

Tem como principal nome o cantor e compositor Luiz Gonzaga do Nascimento, considerado uma das grandes figuras da música popular brasileira. Nasceu no dia 13 de dezembro de 1912 na cidade de Exu, no estado do Pernambuco.

 

Luiz Gonzaga foi responsável por levar o baião para o Brasil, além de outros estilos, como o xote, o xaxado e o forró pé de serra. Tem como principais instrumentos o acordeão ou sanfona, o triângulo, a flauta doce, a viola caipira e a zabumba.

 

Forró

A história do forró reúne muitas curiosidade e características que marcam bastante a cultura nordestina. Derivado do nome “forrobodó”, que significa confusão, arrasta-pé, ou farra, o forró surgiu no século XIX, na região de Pernambuco, onde eram realizados bailes populares.

 

Segundo historiadores, o termo forró chegou ao Brasil junto com os escravos africanos, que naquela época eram enviados para o Rio de Janeiro e para o sertão nordestino. Além de referir-se às festas, o forró tornou-se um gênero musical consagrado no Brasil e pode tornar-se Patrimônio Cultural Imaterial do país.

 

O estilo é marcado pelo som da zabumba, triângulo e sanfona, e é representado pela dança entre casais, que com corpos colados arrastam os pés no chão.

 

Foi a partir de 1950 que a história do forró começou a ganhar força em todo o cenário nacional. Isso porque, no ano de 1949, o cantor e compositor Luiz Gonzaga gravou a música “Forró de Mané Vito”, que caiu no gosto do povo. Foi ele quem popularizou a sanfona ou acordeon e, desde então, o ritmo passou a ser reconhecido por todos os cantos do Brasil.

 

No início da história do forró, as composições eram inspiradas no modo de vida nordestino e do povo sertanejo. As letras costumavam retratar os hábitos e costumes desse povo, desde as alegrias até as tristezas e dificuldades, falava-se muito de amor, lembranças e saudades da terra.

 

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Xote

O xote é uma cadência musical que tem como ancestral uma dança de salão portuguesa. Este ritmo nasce, porém, na Alemanha, originalmente intitulado Schottisch, termo alemão que traduzido tem o sentido de ‘escocesa’, embora não guarde nenhuma relação com a Escócia. Ao criarem esta expressão, os alemães se referiam à polca escocesa, da maneira como era vista por este povo.

 

Esta dança parece ter desembarcado em solo brasileiro em 1851, na bagagem de José Maria Toussaint. A princípio, era difundida entre os aristocratas que viviam durante o Segundo Reinado. Mas logo os escravos se afeiçoaram a este ritmo, observando a coreografia e adaptando-a aos seus próprios gingados.

 

Não demorou muito para que o Schottisch se transformasse no ‘xótis’ e depois no ‘xote’. Assim que os negros instituíram a Irmandade de São Benedito, este bailado tornou-se símbolo dos Bragantinos.

 

Imortalizado pelo compositor Luiz Gonzaga, o xote nordestino tem uma cadência binária ou quaternária, tocada em marcha rápida. Nas tradicionais festas juninas, porém, este ritmo soa de forma mais lenta.

 

O Instituto Livres no sertão

É muito legal saber mais sobre a cultura do nosso país, não é mesmo? Esperamos que essa pequena demonstração da cultura sertaneja e nordestina seja o suficiente para mostrar a grande riqueza existente no sertão.

 

É por esse lugar que nos apaixonamos e buscamos transformar cada vez mais vidas através da água, comida, assistência médica, acompanhamentos psicossociais, palestras, workshops e tantas outras ações.

 

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