A sociedade e a formação de cidades inteligentes

O engajamento da sociedade é questão-chave para a formação de cidades inteligentes

A participação e o engajamento dos cidadãos são itens de extrema importância na formação das cidades inteligentes.

De acordo com estudo realizado em Aarhus, na Dinamarca, as cidades só se tornam inteligentes quando são capazes de construir espaços de colaboração entre todos os atores envolvidos.

Leia o artigo da Professora e coordenadora do Mestrado Profissional Gestão Contemporânea das Organizações da Fundação Dom Cabral, Rosiléia Milagres, e entenda por que a solução para os problemas que os brasileiros vivem hoje só será encontrada se governos, cidadãos, empresas e instituições voltadas para o conhecimento se unirem em torno de um grande arranjo colaborativo que permita a formação de bens coletivos e o alcance dos objetivos comuns.

Segundo dados do IBGE, mais da metade da população brasileira (118,9 milhões de pessoas) vive em 6% das cidades do país (317 municípios).
As três metrópoles com maior número de habitantes são: São Paulo (12,17 milhões), Rio de Janeiro (6,68 milhões) e Brasília (2,97 milhões).

Esse enorme contingente de pessoas trabalha, consome, respira e se diverte diariamente, circulando pela cidade em transporte público ou privado
e demandando de alimentos a serviços e tecnologias, passando pela infraestrutura básica, até a saúde e a educação. São pessoas que interagem e se conectam, mas, para executar todas essas atividades, enfrentam diariamente enormes desafios.

Não é novidade para ninguém que parte considerável da população brasileira ainda não tem acesso a serviços básicos, como água, esgoto e energia. Isso sem falar da acessibilidade.

De acordo com o Cities in Motion Index (CIMI), estudo desenvolvido nos últimos anos, pelo Centro de Globalização e Estratégia da IESE Business School, para ser inteligente, uma cidade precisa observar nove dimensões:

1. Capital humano – atração e promoção de talentos, melhoria da educação e criação de espaços para o desenvolvimento da criatividade e de
pesquisas.
2. Coesão social – grau de consenso entre os diferentes grupos sociais ou a percepção de pertencimento a uma determinada situação ou projeto. É
a medida da intensidade de interação social dentro de um grupo, formado por cidadãos com diferentes idades, níveis de renda, culturas e profissões. Uma sociedade onde cidadãos e governos compartilham uma visão baseada na justiça social, existe solidariedade e prevalece o Estado de direito.
3. Economia – todos os aspectos que promovem o desenvolvimento econômico do território: planos para o desenvolvimento da indústria e de serviços, empreendedorismo e inovação, formação de ecossistemas.
4. Meio ambiente – o desenvolvimento sustentável de uma cidade é aquele que busca resolver os problemas atuais sem comprometer a habilidade
de as futuras gerações encontrarem soluções para suas necessidades.
5. Governança – ações para melhorar a eficiência pública, como o desenho de novos arranjos organizacionais e modelos de gestão. São espaços onde
se reúnem os diferentes atores da sociedade, em busca de maior eficiência e soluções dos problemas comuns, com a participação coletiva.
6. Planejamento urbano – está relacionado com a sustentabilidade e lida com questões voltadas para a melhoria da qualidade vida dos moradores
da cidade. Reflete sobre aspectos ligados ao planejamento do território, considerando, dentre outros temas, a ampliação das áreas verdes e dos espaços públicos.
7. Alcance internacional – cidades que almejam o crescimento precisam abrir as portas para o mundo. Para isso, devem desenvolver planos para
o turismo e a atração de investimentos externos.
8. Tecnologia – elemento que promove a comunicação e a troca de informações, permitindo a melhoria da qualidade de vida e a interação entre os diferentes atores que vivem nas cidades.
9. Mobilidade e transporte – facilidade de locomoção e acesso aos serviços públicos.

O QUE É UMA CIDADE INTELIGENTE? O conceito de cidades inteligentes abrange grande parte das áreas nas quais o governo local opera. Os membros da comunidade – cidadãos, empresas, instituições voltadas para a geração de conhecimento e pesquisa, agências municipais, ONGs e startups – colaboram entre si para construir sistemas integrados e eficientes, promovendo de maneira constante a qualidade de vida da população.

Uma cidade inteligente se apoia em tecnologias digitais para promover o bem-estar, reduzir custos e o consumo de recursos e assegurar um engajamento mais efetivo dos atores que compõem o arranjo, especialmente os cidadãos (Snow et al, 2016; Muñoz and Cohen, 2016).

Um elemento de destaque nesse contexto são as tecnologias digitais, que permitem alcançar maior número de pessoas e promover mais interação. Contudo, tecnologia sem participação e o engajamento dos cidadãos, itens de extrema importância na constituição das cidades inteligentes, não gera efetividade.

Viver em ambientes de colaboração não é tão simples assim. São processos que exigem decisões compartilhadas, com as partes envolvidas explorando
suas diferenças e construindo um entendimento coletivo sobre as soluções e a estratégia de ação.

Entretanto, precisamos, na qualidade de cidadãos, buscar alcançar esses objetivos, definindo metas factíveis que nos levem a melhores condições de vida para todos hoje e para os que virão.

O Instituto Livres já atua estabelecendo parcerias em favor de melhorias efetivas e sustentáveis para comunidades e vilarejos no sertão que sofrem com a seca, fome e falta de acesso à água. Nossas soluções visam promover impacto de transformação positiva nessas localidades.

Se você também almeja viver em uma sociedade mais justa, digna e igualitária, junte-se a nós!

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